Depois de um longo e tenebroso
verão inverno sem escrever (por falta de idéias, e preguiça de pensar em algo realmente interessante), fiquei inspirada ao ler um ótimo texto do
@carpinejar, dei alguns pequenos cortes e comento lá no fim.
Pintar cabelo é um manifesto feminino. O equivalente ao serviço militar obrigatório.
Serve também para desafiar as mechas maternas. Tanto que a menina desmama quando pinta os cabelos. Corresponde a mais importante desobediência doméstica. É quando a moça se desarma, se ama e assume a sexualidade de sua brincadeira.
Superior ao signo e ao histórico escolar, a mulher entende que é pelo cabelo que se apresenta ao mundo. É pelo cabelo que ditará seu perfil, provará que é dramática, romântica, tímida, expansiva, agressiva, esportiva.
Com a bolsa e as sobrancelhas, forma a sagrada trindade da personalidade.
Ela delira com um cabeleira de bordas, redonda, macia, desembaraçada, lustrosa. Aquela espontaneidade onde não se enxerga o fim. Uma cabeleira infinita. Dobrando o oceano dos ombros. Vibrante.
Mas é quase impossível concretizar a metamorfose. Por mais que cada uma siga as instruções da bula.
É como imitar as pinceladas de Van Gogh. Como imitar as formas sensuais das banhistas de Monet. Como imitar os movimentos de tons da ciranda de Matisse.
Pintar os cabelos será a primeira traição que o mulherio enfrenta.
A dureza já encontra seu auge no início. Nem toda mulher quer ser loira, mas toda mulher precisa ser loira. É um pedágio para encontrar a coloração do sonho. Se ousar partir do matiz original para repetir as caixinhas, o espelho quebra. Obrigatório clarear para diminuir o desastre. Na ambição de ser ruiva, uma morena descobrirá o vermelho beterraba, longe do brilho e da intensidade da embalagem. Terá na cabeça um incêndio apagado, sem labaredas, terra devastada, cinzas e fuligem. Só com muita generosidade para chamar aquilo de ruivo, é o mesmo que confundir espinhas com sardas.
Muçulmanas, católicas, evangélicas, luteranas, taoístas, batistas… Não há religião que salve. O milagre nunca acontece conforme rezado.
Tingindo de amarelo verão, na ânsia de reproduzir os ares praianos de surfista e aventureira, o máximo que conseguirá é cabelo palha de inverno.
A decepção não tem fundo. São quarenta minutos de expectativa frustrada.
Cereja terminará marrom. Após cinco lavagens, torna-se água suja. O preto azulado — que ninguém avisa — dependeria de licitação da Secretaria de Obras. É, essencialmente, piche. Para tirar, apenas cortando.
Conhecerá a maldição de fadas. A dissolução do castelo. Ao adormecer como Marilyn Monroe e seu fulgurante platinado, acordará como Cicciolina em fim de carreira.

Minha vez --> Só quem sabe o drama de pintar pra entender como é isso.
Pinto de vermelho cereja desde 2004. (e com o tempo, o meu fica alaranjado, e não cor d agua suja, como disse o autor)
graças ao meu cabelo que acaba mudando de cor com o tempo, já ganhei alguns apelidos. (cavalo de fogo, marry jane [do homem-aranha], e cenoura [meus amigos e veteranos de faculdade])
Não existe cor que me descreva melhor do que meus fios de fogo.
Quando você ve uma ruiva, de cara, já ve um pouco da personalidade dela, já que são poucas as que tem coragem pra uma cor tão ousada.
quanto ao cabelo branco, acho bonito, tanto em homens, como em mulheres. Confere um certo charme de quem viveu muita coisa, e tem orgulho de tudo pelo que passou.
Fico pensando se abandonarei meus vermelhos para adotar a cor que na verdade é todas as cores juntas.
aqui o originalnão concorda? acha que falei muita merda? concorda comigo? o que acha das ruivas? e das loiras? e das morenas? qual a sua opinião ao ver q meu cabelo é (ou tenta ser)vermelho? diz ai!